Heróis de B(D)

Uma das mais interessantes e bem sucedidas séries de TV de 2007 chama-se «Heroes» (Heróis, na TVI). É a história de várias pessoas aparentemente normais que vão descobrindo aqui e ali que possuem poderes especiais (ficar invisível, parar o tempo, prever o futuro), e que têm um destino especial de salvar o mundo de uma catástrofe qualquer.

Quando comecei a ver a série há umas semanas atrás, fez-me imediatamente lembrar a admirável graphic novel de J.Michael Straczynski (Top Cow/Image): «Rising Stars», sobre 113 crianças que ganharam poderes depois da queda de um meteorito. Existem várias similaridades, mas confesso que me parece que cada obra vive pelos seus pés.

Algo que as séries de televisão têm vindo a ganhar nos últimos tempos, seguindo uma tendência muito antiga da BD, é a complexidade cada vez mais intrincada da narrativa, com linhas de enredo a prolongarem-se episódio atrás de episódio sem resolução. Séries como «Lost», «Prison Break», «Invasion» e finalmente «Heroes» são prova desta tendência, que temos visto igualmente ganhar raízes no cinema (ver «Star Wars», «Lord of the Rings», «Matrix», entre outros).

Muito se poderia dizer sobre este prolongar e intrincar das narrativas, mas direi apenas que num mundo onde as pessoas vivem cada vez mais de estímulos rápidos e intensos (género anúncios de publicidade e videoclips e jogos «shoot-them-up») a possibilidade de desenvolver intimidade com as histórias e as personagens sabe-me mesmo bem. Obrigado, BD.

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