Blogonovela - 9

Caros Blogonoveleiros e BlogonoveleirasTenho recebido milhares de mensagens vossas a pedir-me para publicar os textos do Cão ou do Chinês. Eu sei que não tenho correspondido às vossas expectativas, mas, o que é facto, é que o “O” tomou conta de mim, e quando isso acontece, não sou capaz sequer de escrever uma lista de compras. Mas como já tinha um episódio meio acabado, resolvi juntá-lo agora. Prometo continuar quando o “O” me libertar. Até lá!!! 

9.º Episódio – Bang-Bang

….E olhou para ela com um ar não de repulsa, como tinha feito até então mas, com aquele brilho nos olhos, que só alguns têm o encanto de experimentar. E de repente entre os olhares dos dois apareceu Nancy Sinatra a cantar Bang Bang, os dois nem sequer a viram, nem tão pouco podiam, não é do seu tempo, dizem os mais atentos, mas a verdade é que ela estava lá e eles ouviram-na a cantar.

Para ouvir fazer o favor de clicar:      http://www.youtube.com/watch?v=T5Xl0Qry-hA

Yong-Lo pensou então: não pode ser!!! Não posso estar atraído por uma mulher tão feia, é impossível!!! Ainda lhe passou pela cabeça que estava a ser alvo de uma qualquer feitiçaria, mas na verdade, a ouvir-se a Nancy, beija-se qualquer coisa, até mesmo a burra da vizinha, claro que não falo da vizinha burra da porta do lado, mas sim da besta. O que vem a seguir tem a importância de um parágrafo.

Eles beijaram-se. Pronto!

Que querem que vos diga? Que descreva o beijo? Nem pensar!

Foi um beijo, mas o que o marcou, não foram os aspectos técnico e tácticos do beijo, ou do encosto de línguas. O que efectivamente tornou aquele beijo inesquecível foram as lágrimas da beijoqueira. Enquanto se beijavam ela lacrimejava lágrimas que tinham o aspecto de chumbo líquido, sim, cor de prata, aquela espécie de metal líquido ia-lhe escorrendo pela cara e uma vez no chão reagrupavam-se formando uma superfície vidrada que mais tarde se veio a revelar um espelho de mão. Tal era o brilho das lágrimas que Yong-Lo, apesar de estar a beijar de olhos fechados apercebendo-se do clarão entreabri-os, parando o beijo, e ficou completamente imóvel assistir aquele milagre, fenómeno, espectáculo, chamem-lhe o que quiserem, mas era algo para além da normal compreensão de Yong-Lo, uma vez cessadas as lágrimas de prata, começaram a jorrar dos olhos daquela milagreira senhora, pequenos diamantes líquidos, que escorriam também lentamente pela face e uma vez no chão como que por magnetismo se iam incorporando no cabo do espelho. Uma vez acabada aquela “rica” choradeira, ela pegou no espelho, com uma mão e disse-lhe, desta vez, sem se rir, antes com um a voz doce e celestial:

- Meu querido amanhã leva este espelho para o combate mostra-o ao teu adversário, que nele verá reflectido no espelho os seus maiores medos e receios. Vai tu sem receio meu querido, eu agora tenho que ir.

Assim que acabou a sua frase, desapareceu, Yong-Lo ficou atónico, mas a música, o som, a vibração e timbre havia sido produzida pela voz daquela feia senhora, deixou-o perturbado. Pois uma vez mais lhe vez lembrar a sua falecida mulher, Yong-Lo ficou ali imóvel a observar o céu, olhando-o viu a grande constelação do dragão crescente, o dragão que lhe havia indicado o caminho até à Pérsia e que o haveria guiar de volta à sua amada pátria. Mas desta vez o dragão ao invés de ter aquela expressão séria que sempre conheceu parecia-lhe sorrir.

Comments 4

  1. dioptrias wrote:

    De antologia:
    “…beija-se qualquer coisa, até mesmo a burra da vizinha, claro que não falo da vizinha burra da porta do lado”

    Posted 28 Jun 2007 at 16:12
  2. disgrafias wrote:

    Criativo e inspirado. Muito bom!!!

    Posted 28 Jun 2007 at 16:28
  3. ladob wrote:

    Ganda filmão, ó Alex! Contigo, até os relógios são perigosos! Gracias, muchacho. Bang bang.

    Posted 28 Jun 2007 at 17:58
  4. Manela wrote:

    Alex, teremos continuação?…

    Posted 29 Jun 2007 at 18:43

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