Caros Companheiros destas bloguisses (ou blogices?)
Não sei qual é neste momento o vizinho que me está a fornecer, involuntariamente, internet, mas desde já um grande bem haja “Wireless - F Router”, és um tipo à maneira. Um dia destes pago-te um almoço. De imediato vou publicar este que está fresquinho, antes de ser apanhado e ficar sem pio.
Até à proxima se não for antes.
10.º Episódio – A Espada de Sakato
…Após se deter por mais alguns instantes na observação do céu, Yong-Lo chamou o responsável pelo seu arsenal, e pediu-lhe que lhe trouxesse a “arma”, que é como quem diz, a espada samurai que lhe tinha sido oferecida pelo seu melhor amigo, o grande samurai, Yamaguti Sakato. Eles haviam-se conhecido durante uma batalha travada entre o Japão e China, onde se combateram até à exaustão, mas a técnica apurada de cada determinou que houvesse sempre, e em todos os casos, um persistente empate. Então, reconhecendo-se mutuamente como grandes guerreiros, decidiram fazer tréguas, tornando-se conselheiros, um do outro, em tudo o que não envolvesse, obviamente, assuntos em que os seus respectivos reinos não estavam em sintonia. Sakato era o mais respeitado dos samurais do Japão (se é que algumas vez houve samurais num outro sítio qualquer), diz-se que bastava o inimigo saber que Sakato estava presente para desde logo desistir de combater, o que se traduzia, para os mais nobre guerreiros, num desventrado haraquiri.
Para além do seu reconhecido talento na arte de fazer a guerra, Sakato era reconhecido também como mestre ferreiro, uma vez que, ele próprio produzia as suas espadas samurai através de um método único de fabrico que resultava em espadas extremamente resistentes e que se auto afiavam. Eram, também, de tal maneira finas que de perfil pareciam deixar de existir, o que confundia os adversários, e maximizava as hipóteses de ganhar uma batalha para quem as empenhava. Assim que o armeiro de Yong-Lo lhe entregou a magnifica espada Sakato, este segurou-a firmemente, aproximando-se de um grande castanheiro, tão grande que sete homens não o conseguiam abraçar, e desferiu-lhe um golpe com o seu samurai, cortando-o de uma só vez, mas tal era o poder de corte daquela arma, que aquela arvore de grande porte ainda se mantinha de pé, embora estivesse, como já se referiu, cortado. Posteriormente face ao precário equilíbrio da árvore, Yong-lo limitou-se a dar-lhe um pequeno toque, para fazê-lo tombar de imediato.
O estrondo da queda causou o pânico e o transtorno dos esquilos que nele viviam. Mas não foi o barulho da queda do castanheiro que acordou o acampamento antes protestos dos animais. Yong-Lo, de pronto para evitar um sempre desnecessário conflito, chamou o esquilo chefe de família e convidou-o para tomar um chá de camomila, talvez para o acalmar. Este aceitou-o embora durante muito tempo ainda protestasse. Ninguém sabe ao certo porquê, mas desde que sua mulher havia falecido, Yong-Lo entendia a linguagem dos animais e falava com eles, o que lhe permitiu apurar a sua técnica de luta marcial, pois tinha como conselheiros secretos, tigres, louva deus, besouros, etc. Claro que só os mais chegados sabiam de tal, Yong-Lo não podia dar-se ao luxo de que a corte imperial o soubesse, pois iram considerá-lo louco, e destitui-lo de seu cargo de Chefe das Forças Armadas.Durante o chá com o chefe do clã, Yong-Lo, desde logo, apresentou as suas mais sentidas desculpas, mas que teve do Sr. Esquilo a seguinte reacção: - Ora, desculpas, desculpas, nós que tivemos tanto tempo para arranjar a nossa casa, era um palácio quando comparada com a casa de outras famílias menos nobres que por aí andam. Foi o Sr. Pica-pau que a esburacou, e depois completada pela magnífica equipa de construção do Sr. Eng. Castor. E agora sem prévio aviso ficamos privados de viver naquela simpática e acolhedora árvore. Depois de ouvir o Sr. Esquilo, Yong-Lo questionou-o:- Mas diga-me como o poderei compensar? O que poderei fazer para que me possa retratar do sucedido?- Não pode, não pode fazer nada!!! Desgraçados é o que estamos agora, logo na altura do anor em que se avizinham as neves. Vamos morrer de frio e fome!!! Yong-Lo começa então a pensar: “Neve e esquilos em Bagdad, algo estranho se passa aqui!!!”Abriu os olhos e viu os seus companheiros de armas, estavam apavorados, pois viam o seu chefe a falar na direcção da árvore derrubada e pensaram, primeiro beija a bruxa, agora fala para uma árvore derrubada, o nosso líder está a ficar louco, o que vai ser de nós? Yong-Lo, olhou para os seus soldados e sorriu, dizendo-lhes:- Amanhã é mais um dia, mais uma batalha, é melhor irmos todos descansar, pois o adversário de amanhã não vai ser fácil e se eu perder, vai ser o meu e o vosso último dia de vida, por isso durmam esta noite como se fosse o vosso último sono.Yong-lo antes de adormecer ainda se ria com o sucedido: “ Eu a falar para um esquilo em Bagdad, esta viagem dá cabo de mim!!!”.
Depois re-saboreou o maravilhoso beijo que havia dado naquela estranha mulher, e dedicou uma prece à sua filha que havia ficado na Grande China. Por fim adormeceu.Claro está que, tirando Yong-Lo ninguém conseguiu dormir naquela noite um sono descansado, todos sonharam com a sua morte, pelo que durante a noite ouviram-se gritos profundos de dor, como se os gritantes se estivessem a auto decapitar com uma lâmina velha e romba.
Comments 1
… merece compilares os diferentes artigos para publicarmos em pdf….. ::-) Parabéns
Posted 10 Jul 2007 at 12:17 ¶Post a Comment