“ Uma manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa, deu por si na cama transformado num gigantesco insecto”. (Fraz Kafka – A Metamorfose).
Apesar de nunca me terem convidado para qualquer almoço ou encontro onde decorrem as vossas tertúlias, quero que saibam que eu estou por lá. E, desde já peço-lhes que me poupem, espertinhos bloguistas, a piadas do tipo: - Ai estás? Então começa a pagar a tua parte!!! – Claro, meus caros, que falo de omnipresença. E apesar da tentativa de gracinha, deixem-me que vos diga que, tirando aquele tipo da “disfunção do bem”, até me parecem um grupo acima da média, pelo que mete dó a presença do fulano. Mas isso é um problema que não me diz respeito.
Mas vamos ao que interessa, toda esta treta para dizer que a Sra. D. “Relevos” que usa o nick de Margarida, faz um almoço ou dois, falou num gajo Checo, que escrevia em alemão e tinha a mania que não queria ser entendido, embora a mensagem dele fosse, em todos os casos: - Socorro!!!, e ainda: - Mas porque é que ainda não inventaram o Prozac???
Se existe alguém que lê aquilo, falo dos textos do gajo que escreve alemão, embora não o fosse, melhor lê isto. Pelo menos está escrito em tuga vulgaris, e se a ideia é elaborar um texto cujo resultado se traduza num mero entrelaçado de ideias sem nexo aparente, ninguém melhor que, aqui o “O” para o efectuar:
Pelo que, cá vai disto então:
Era uma vez, não me soa bem; bem, na verdade não sei como começar, para me inspirar liguei o meu Ipod no modo, aleatório [(que tenho vontade de escrever shuffle) esta foi uma tentativa de gracinha para dar mais cor a esta coisa que escrevo] e para meu desagrado calhou-me um tema bem estranho – Cabaret Voltaire – Just facinastion – mas cá me aguento, rezando para que a próxima faixa me inspire bem mais, para quem não conhece Cabaret Voltaire direi que são uns gajos influenciados por Kraftwerk, se bem que muito mais amadores, reparei agora na pontuação, ainda não coloquei nenhum ponto, apesar de ter virgulado, o que dirão os mais ortodoxos viciados da língua Portuguesa, este gajo, o “O” que escreve, deveria estar preso. Pronto pontuei, quem lê esta coisa ainda nada entendeu, para o futuro, se é que alguém alguma vez vai ler isto, usarão o nome do fulano que escreve [(quando eu arranjar um nome para “O” – vulgo nick) mais uma gracinha] para descrever alguém muito confuso, tal como se usa o nome de Kafka para descrever o sistema, arquitectado pelos “outros”, ou por “aqueles”, ou para adjectivar os “tais” que nós sufragamos mas que rapidamente lhes perdemos o controle. Por esse facto deveria de haver o anti-voto, até gostaria de o descrever, mas por homenagem a Kafka não o vou fazer, fazê-lo seria anti-kafkiano, e ninguém quer isso. Bem estou inspirado, “Wake Up” – Arcade Fire é óptimo para começar um romance. Eu disse Romanace???? Ena, para quem pouco pontuou agora vai de parágrafo.
Romance!!! Novela!!! Viva Tolstoi e toda atmosfera cénica, e porque não também cínica, que criou. Mas ele só poderia escrever assim por que o fazia na Rússia daqueles tempos (que inveja!!!), todo o sofrimento daquela populaça, ainda para mais naquela época, é manancial inspirador de grandes novelas dramáticas, mas na verdade, nestes tempos, que não vou dizer quais, diria que todos os povos têm aptidão para redigirem grandes dramas. De facto conseguiu-se, academicamente, através das aulas de Economia e Gestão e do seu aturado conteúdo programático, destruir todos os grandes feitos do homem no seu rumo a uma sociedade sem classes (sem fome diria eu) e na verdadeira redistribuição da riqueza. Mas como conseguiram “eles” destruir o ensejo de efectuar semelhante conquista? É muito simples: ensinam os meninos, que nem todos os homens são iguais, porque uns trabalham muito, e logo merecem ser ricos, os outros (os não gestores) nada fazem, logo merecem ser pobres e, claro, espezinhados pelos iluminados economistas para proveito dos “outros”. Que me perdoe Kafka, mas agora vou ter que revelar o segredo da “mão invisível”, nem que tenha que consumir um inteiro capítulo sobre esta matéria, o mundo precisa de saber!!!
Estou a ouvir The Sound, e perdi a vontade de contar como actua a “mão invisível”, de contar como actuam os “aqueles” de que falava no parágrafo anterior. Tenho que me concentrar, afinal “pagaram” para ler isto e não para saber como actuam os “tais”. E eu, na verdade, temo pela vida, face a tamanha revelação, pois valer-me-ia certamente a hospedagem prolongada num centro universitário “deles” de modo a poluir-me o discurso, embora aparentemente fizesse bem mais sentido para os “todos”.
Que coisa, continuo a adiar o começo “disto”, para espanto “daqueles” e dos “outros”, mas vou desvendar um pouco do fim; vai ter relâmpagos, sempre é bem mais original do que a perseguição de automóveis, e viúvas fingidas vestidas de noiva, que será, juro, o máximo de sensualidade que terá este emaranhando de ideias que vos sujeito a ler.
Interpol, é o que oiço neste momento, desculpem-me os alternativos pela revelação, mas a cultura deve chegar também ao povo para bem “deles”.
E mais não digo até porque já leram o fim.
Comments 3
Înterpol?? Gostei muito!
Posted 10 Jul 2007 at 11:45 ¶Cada dia que passa o ‘O’ vulgo “A Junção do Bem” supreende-me!… primeiro pela capacidade de produção. Segundo pela qualidade e por último pelo non-sense…. sem referir, como é lógico, o bom gosto musical.
Mas no post do ‘O’ não entendi quem ficou mais baralhado com a tentativa de (des)complicar Kafka. O autor ou o destinatário?
Um abraço amigo
Posted 10 Jul 2007 at 12:10 ¶A “gaita” é que estive a ler … estando a ouvir o Requiem de Fauré …
Posted 14 Jul 2007 at 18:36 ¶Post a Comment