O rothwailer com cabeça de Einstein e o Canário Amalelo - Volume IV – sub volume II

B) Telefunken – ohw sweet ohw – Amaciador 

O cão ainda paira no ar!!!

E a porta sala está fechada!!!

Estas duas premissas “apenas” querem dizer:

A) Que estou a auscultar (porque de auscultadores) “os” Santa Esmeralda e o seu caquéctico ”Don’t Let Me Be Misunderstood”, que Tarentino ressuscitou em Kill Bill Volume I., eu cá por mim já vou no 2.º sub volume  do IV Volume. Cá está ela: http://www.youtube.com/watch?v=nElp_tz4WI8

B) Que estou prestes a fenecer.

Mas voltando ao ataque do bichano pois, de outro modo, nunca mais saímos daqui.

O cachorro lá “rasgava” o ar, com tal impulso que lhe permitiu transitar do Volume III para o 2.º sub volume deste IV Volume, sem que tivesse a necessidade de colocar uma patinha que fosse no 1.º sub volume do Volume IV.

Primeiro estava a cerca de um metro da minha pessoa, rapidamente e face à sua estonteante velocidade, estava ainda mais proximo. Quando lhe faro o seu hálito horripilante a sua distancia da minha pessoa “ainda está em 0,000000012 metros”. De imediato entrei em histerismo completo, o que provocou o quase completo congelamento da variável tempo, pelo que o modo como percepcionava a situação era à lá Matrix. Esse fenómeno talvez fosse devido à elevadíssima velocidade com que o meu poderoso cérebro processava a informação. Caso não saibam o meu cérebro já é dual core e segundo disse a minha Médica de família (na única consulta que tive, aproxima está marca para o ano de 2042, vá se lá saber porquê) tenho uma belíssima cissura de Sílvio e um lóbulo frontal de primeiríssima água. Isto para vos dizer que embora o cão estivesse a uma ínfima distancia de mim, graças ao possante processamento de informação efectuado pelo meu processador instalado no bolbo raquidiano, esse infima distância parecia estar a uma eternidade.

“Os números continuavam a descer: 0,000000000000000000034 metros. 0,000000000000000000033 metros, 0,000000000000000000032 metros.” Pelo que o cão parecia infinitamente longe. Mas esse infinito era perigosamente perto.

Pelo que gritei:

- Bruno, “temos um problema.”! (?) (Nomeadamente em parafrasear-te?)

Como não obtinha qualquer resposta por parte do Bruno, e na iminência da investida final da besta, como cobarde com que sou, desviei o meu olhar, para não encarar de frente com o meu fim, ao fazê-lo detive o meu olhar na porta da sala que se encontrava fechada. Ainda assim sem saber como, consegui espreitar através do buraco da fechadura. E graças talvez à providência divina, que não existe como sabem, mas que em momentos como este dá muito jeito, visualizei o único objecto que gostaria de visibilizar naquele momento. Uma telefonia antiga da Blaupunkt, olhei bem para ela e enquanto detinha o meu olhar para o mais sublime dos objectos que alguém pode ter, tocar e ouvir tocar, sem que me apercebesse, estava envolto numa verdadeira espiral que espiritualmente me transportou para o mais delicioso dos objectos que fazem parte da minha memória. A Telefunken – a telefonia que fazia (as) maravilhas do puto que os meus pais um dia tiveram em casa.

            Aquela maravilha das maravilhas educou melhor do que qualquer Nanny que pudesse existir naquela morada. Mas, na verdade, nos primeiros tempos que convivi com ela tinha-lhe elevado receio. Pois após o pulsar do botão que a ligava ela “abria” o seu lindo mas frio olho verde florescente, como se estivesse a verificar se eu a tratava com a atenção que é devida a tão nobre senhora. O meu respeito era enorme, pois parecia ela que só debitava os primeiros sons após eu ficar admirar a sua beleza. Depois de ouvir os primeiros acordes de uma qualquer música, surgia em mim o segundo receio. Como é que a música sai dali? Para mim, era ponto assente que, a linda senhora era habitada por pequeninos duendes cuja única e exclusiva missão, que tinham na sua efémera vida, era cantarem para mim. Claro que esses duendes eram modernos, pois não viviam no campo, nem se alimentavam com o néctar que lhe era dado pelos amiguinhos colibris. Eram antes alimentados pela ficha, que tinha uma dupla função, um dos seus pólos, como que de uma conduta se tratasse, servia para a entrada do alimento, o outro servia como coluna dos esgotos. Acreditem que ouvi-a aqueles duendes cantar e tocar sem parar. E quando os parava de escutar era para dar atenção ao senhor que coabitava o espaço da nobre senhora. Falo do prato Philips, daqueles cuja tampa servia de coluna de som, mas que já tinha uma caixa de três velocidades, as célebres, 33, 45, 78. Mas nunca entendi o que queria dizer RPM nem o que faziam aquelas três letras ao pé da caixa de velocidades, mas não será certamente nesta era digital que vou saber, pelo que adiante.

Mas não será hoje meus amigos!!!

Tenham lá constância e aproveitam para dar uma, sempre apetecível, voltinha na zona ribeirinha de Lisboa. E vão já, porque dentro de pouco tempo terão que instalar uma Via Verde no vosso vestuário preferido para lá poderem passear. Olhem que quem avisa vosso amigo “O” é.

Será que vou ser processado por esta pilhéria?

Comments 3

  1. ladob wrote:

    Acordei e estava tudo escuro. O terreno por baixo era mole e quando bati na parede, fez o som característico do marfim. O cheiro era nauseabundo e estava muito calor.
    «Alô? O?» fiz pelo microfone «Consegues ouvir-me?»
    E diz a voz: «Estás vivo!? Impressionante!? Sabes onde estás?»
    «Não.»
    «Estás dentro do Rothwailer! Espera aí… Larga, bicho, larga… abre lá a bocarra, porra!»
    E fez-se luz… Puxando um lábio para cima, o ‘O’ acenava-me para lá dos dentes do bicho.
    E eu fiquei contente por o ver e vomitei, claro…

    Posted 11 Jul 2007 at 15:16
  2. ajuncaodobem wrote:

    Bruno és demasiado bondoso…eu deixava-”O” lá dentro…

    Posted 11 Jul 2007 at 15:53
  3. Manela wrote:

    Porque será que até tenho pena do bicho?! De certeza que teve de tomar algum digestivo…o bicho . Há continuação? eu voltarei não voltaren…

    Posted 12 Jul 2007 at 0:58

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