13.º Episódio – Mammal e a Nannal – também conhecidas como as Meninas da Morte, Manas Mortais, as Duas Gémeas Mortíferas, Gajas Lixadas, Meninas Do Pecado, Mortais Guerreiras, Siamesas Levadas da Breca, Ninas do Caraças, mas ainda mais conhecidas como: As cabras mortais!
Uma vez mais, Yong-Lo regressa ao acampamento, sabendo que no dia seguinte ao próximo, mas que será véspera desse, irá travar o último e decisivo combate, desta feita com as manas siamesas, Mammal e Nannal, as terríveis guerreiras.
Durante todo o dia Yong-Lo prepara a estratégia de combate sem saber ao certo o que vai fazer para levar de vencida as terríveis Manas. Elas são invencíveis! Pelo facto de terem o seu corpo unificado lateralmente na zona da bacia, permite-lhes usar os quatro braços e quatro tipos de armas diferentes ao mesmo tempo, por outro lado as quatro pernas conferem-lhes uma velocidade estonteante e um poder de impulsão notável, e uma vez que têm duas cabeças pensantes, conseguem usar cada uma das suas quatro armas com estratégias diferentes. Pelo facto de nunca terem perdido um combate, por nunca deixarem um adversário vivo chamam-lhes: as Meninas da Morte, as Manas Mortais, as Duas Gémeas Mortíferas, Gajas Lixadas, Meninas Do Pecado, Mortais Guerreiras, Siamesas Levadas da Breca, Ninas do Caraças, enfim um sem número de nomes.
Yong-lo bem se tenta preparar para o combate contra tão valentes adversárias, porém, para além da dificuldade de tentar conceber uma estratégia ganhador, depara-se-lhe ainda, não menos fácil, uma complicação acrescida. Não pára de pensar na feia senhora, todos os seus pensamento acabam sempre por o levar até ela, seja pelo beijo, seja pela voz, seja pelos seus gestos meigos. Isso deixa-o irritado pois pensa que pelo facto de estar encantado por tão feia senhora, poderá dever-se ao facto de estar embruxado sob um qualquer feitiço. Apesar de tudo gosta de se sentir assim, só tem medo que o amor que sente seu coração bombear seja impuro.
Fosse pelo que fosse, não fosse ela aparecer, à cautela, Yong-Lo apanhou flores nos campos próximos do aquartelamento em que ele e os seus soldados estão sedeados, não fosse aparecer a sua amada feiosa.
Mas, passou-se o passou-se a noite e nenhum sinal dela.
Na manhã seguinte, dia do combate final, estava Yong-Lo a praticar a sua “Kata”, heian shodan (shotokai), com a sua espada samurai Sakato (sim uma autentica e genuína Yamaguti Sazato), quando reparou que já há algum tempo estava a ser observado por uma bela Raposa dourada. Intrigado, aproximou-se da Raposa e perguntou-lhe:- Deseja alguma coisa?
Ao que ela lhe replicou:- Claro que sim. A única coisa que verdadeiramente desejo é jamais ser sua vítima, uma vez que a sua técnica com a espada samurai Sakato é deveras impressionante.
Yong-Lo ficou perplexo, pois não sabia o que o levara a falar para com uma raposa com um ar tão espertalhão, e mais espantado ficou ainda por ela saber distinguir uma espada Samurai Sakato, de todas as outras, pelo que lhe perguntou:- Sabe o que é uma Sakato?
- Obviamente! – redarguiu a raposa, o que provoca no rosto do guerreiro a expressão do absoluto espanto; prosseguido ela na sua explicação - Nunca ouviu a expressão esperta como uma raposa? Mas acrescento-lhe que não são só espertas como muito cultas, especialmente as fêmeas. Nós estamos incessantemente a observar-vos a vós humanos; pois é das vossas debilidades que muitas vezes conquistamos as nossas refeições. Pelo que, qualquer raposa que se preze em manter uma família bem nutrida, tem que estudar todas as ciências e matérias que sejam criação humana. Mas quanto a saber o que é uma Yamaguti Sakato, é parte da cultura geral de sobrevivência de qualquer raposa que se preze em manter-se viva durante muitos e bons anos.Enquanto ia prosseguindo na sua explicação ia aproximando-se do cada vez mais espantado Yong-lo. Seguidamente acerca-se da espada Samurai, Yamaguti Sakato, e repentinamente, toca com a pata direita nela, o que lhe provoca o seguinte comentário:- Brrrrrrr….que fria esta lamina. Diz-me lá guerreiro onde vais com esta espada?
- Vou combater as Manas Siamesas, Mammal e Nannal, as terríveis guerreiras.
- As Cabras Mortais! – Diz em voz alta a Sra. D. Raposa. Depois, olhando directamente para os olhos, fintando-o, como só uma raposa astuta sabe fazer, pergunta-lhe – Grande guerreiro, sei que és bravo e valente, tens uma técnica apuradíssima no uso da espada Samurai, mas diz-me, tencionas mesmo matar as duas Manas com a tua espada?
- Sei que não vai ser fácil – responde Yong-Lo.
- Com a espada nunca irás conseguir combatê-las – responde a raposa com um ar tão convincente que transtornou o guerreiro – Sabes, pelo treino que te vi a efectuar denota-se que és uma colossal guerreiro, mas existem guerras que não se ganham com armas. Aproximando-se de um canteiro de flores que por artes mágicas, sem que Yong-Lo desse por isso, estava ao seu lado implantado, a Sra. D. Raposa diz a Yong-Lo:
- Meu querido, em vez de perderes o teu tempo que já não é muito a treinar para um combate que não podes ganhar pelo uso da força, descontrai-te e compõe o ramo de flores mais bonito que conseguires. Depois vai ao teu barbeiro militar e pede-lhe para te cortar esse cabelo e vai vestir o teu uniforme de gala. Quando chegares ao campo de batalha entrega o ramo de flores às tuas inimigas e deixa a natureza humana seguir o seu curso.
Yong-Lo olhou para ela com ar incrédulo e pensou: “Flores para o combate com as gajas mortais?”
A Sra. D. Raposa, em seguida aproximou-se de Yong-Lo, e passou rente às suas pernas, como que a dar-lhe um enorme carinho, seguidamente virou-lhe as costas e partiu em direcção ao campo, mas não antes de lhe dizer:
- Vai sem receio meu querido, eu agora tenho que ir.
Yong-Lo ao ouvir aquelas palavras sofreu como que um abanão, pois as palavras que a Sra. D. Raposa havia acabado de pronunciar eram iguais às que a Feia Senhora lhe havia dito na noite em que lhe entregara o espelho mágico. Face a esta constatação Yong-Lo esboçou um largo sorriso cheio de confiança e gritou bem alto um:
- Vamos a elas!!!!
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