magnetic (2): “Resto zero”

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Não conseguiu fazer contas de cabeça. Pegou no lápis. 24=12×2 ou 24 a dividir por dois são doze com resto zero. Há dias assim. Pensamos mas não agimos. Bloqueou. Lembrou-se do lenço e da mala. Do livro. Estava na página doze (divisível por dois, por três, por quatro e por seis). Da esplanada. Do relevo dos diálogos intercalados pelo picotado do tempo. Colagens de datas e horas, de fotos e de letras. O picotado. As folhas escritas de um só lado com a força da vida, coladas com fita-cola.

O que lhe impressionou não foram as mensagens. Não o conteúdo, mas sim a sequência inevitável das horas e dos dias. Há alguma divisível por dois? … e que dê resto zero? perguntou a si mesmo.

Lembrou-se do maço de SG ventil. Das pastilhas sem açúcar. Dos óculos de sol. Do casal inglês na mesa ao lado. Os objectos estavam lá. Intactos e imóveis. O chá, café, água e pacotes de açúcar. Agosto é o retorno às formas puras sem planos nos olhares. O sol reflecte o que lhe vai na alma. As trocas de fotos imortais guardadas nas carteiras.

Arrefeceu. Caminhou junto mas não demasiado. Apenas para sentir o leve e esporádico relevo do braço. O desejo novo de uma viagem. O desejo de tirar o relógio. De expandir o tempo. Dois minutos sem rumo, a ouvir Bach, com a brisa do final de dia. Um semáforo quebra o silêncio dos olhares.

Não há mais nada a dizer. As palavras escritas encarregar-se-ão de tornarem imortais os momentos importantes ou residuais.

Olhou para o relógio. Pensou – “Apenas tenho de tomar uma chávena de chá para que tudo volte ao normal!”

Comments 2

  1. ajuncaodobem wrote:

    Agosto é sempre um mês de balanço. E até porque temos mais tempo para observar, planear e com jeitinho até para balançar.

    Um abração

    Alexandre

    Posted 17 Ago 2007 at 16:31
  2. Manela wrote:

    Luis terá tudo voltado ao normal só com um chá? sortudo:)

    Posted 18 Ago 2007 at 0:24

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