A triste história da menina que levava uma flor para oferecer à avozinha velhinha que vivia sozinha com o gato Sebastião que comia tudo, tudo, tudo.

A Parte II – E mais não tem… 

E lá ia ela bela e formosa no seu, muito janota, vestidinho vermelho. Avançando para o seu destino, enquanto caminhava dava pequenos saltinhos para a frente e para trás como se os seus passos estivessem marcados por um jogo da macaca virtual desenhado no passeio, enquanto cantarolava de modo bastante infantil, uma musica dos Nirvana. Estava ela tão embrenhada no seu joguinho e musiquinha que não reparou que estava atravessar uma linha de comboio.

 Zás!

O rápido comboio que era um rápido, não se deteve pela menina, e lá lhe amputou as duas gordinhas perninhas. Tal era a velocidade e o calor das rodas daquele rápido comboio rápido, que logo após a amputação as feridas resultantes ficaram logo cauterizadas. A nossa Menina nem teve tempo de ter dores, após acercar-se da não existência das duas pernocas proferiu o seguinte desabafo:

- Não tenho as duas pernas, mas não faz mal, vou levar na mesma as flores para oferecer à minha Avozinha e de preferência palmar-lhe a reforma! Pelo que para continuar a avançar colocou as flores que sobravam daquele, anteriormente, faustoso ramo, na boca, fez um gracioso pino, e lá foi caminhando através não de passos largos, mas através de braçadas espaçadas e seguras.E lá foi ela seguindo o seu caminho, ao abeirar-se junto a uma estrada, como menina atenta lembrou-se dos insistentes avisos dos seus pais:

 - Filha quando tiveres que atravessar uma estrada primeiro olha para a esquerda depois para a direita.

E assim o fez, mas como estava de cabeça para baixo, fê-lo de modo contrário, pelo que foi atropelada por um carro que vinha a alta velocidade que lhe arrancou os dois bracinhos. Assim que deu por falta deles, proferiu a menina as seguintes palavras:

- Que chatice, assim vou demorar mais tempo para chegar a casa da minha Avozinha. Mas nada me deterá!

E assim foi, uma vez que não tinha bracinhos nem perninhas, apenas a cabecinha e o tronquinho, lá foi ela avançando caminho fora, como se fosse uma lagarta, arqueando o seu corpo de forma a chegar ao seu destino.           

 Mais à frente, a pobre da menina estava exausta, pelo que decidiu fazer uma paragem para recuperar energias. Mas tal era a sua exaustão que não viu que estava sobre os carris de um eléctrico. Só acordou quando o eléctrico sobre ela passou, e lhe separou a cabeça do sobrante corpinho. Ainda assim, a catraia não se deteve.- Eu vou entregar esta flor à minha Avozinha, nem que seja a ultima coisa que faça na vida! Conseguiu apanhar uma flor com a boca e com movimentos efectuados com as orelhas e o franzir da testa, lá foi ela prosseguindo o seu caminho.           

Até que avistou a casa da Avozinha, não estava a mais de cem metros, quando o Sr. Alves, que por ali passava com a sua camioneta de cinco toneladas esmagou aquela linda cabecinha. Existem muitas coisas que não conseguimos interpretar ou racionalizar. O que é facto, é que aquele espírito da catraia era terrível. Face ao pesado esmagamento, só sobrou, intacto um lindo olhinho, que ainda assim, decidido, segurou uma flor com as pestaninhas, e saltitando foi em direcção à casa da Avozinha. Junto da porta de entrada da moradia onde vivia a velhinha, depositou a flor, depois aos saltinhos, com muito esforço, lá conseguiu tocar na campainha da porta. O gato Sebastião, o bicho de estima da anciã, que por ali perto passava, ao ver o olhinho aos saltos, pensou que era um gafanhoto, animal que para ele era, em termos de satisfação gastronómica, o equivalente a um humano comer lagosta, aliás, dizem os entendidos que têm até um paladar muito similar. Pelo que o gato Sebastião nem pensou duas vezes, e num salto gracioso, lá apanhou e seguidamente sorveu o olhinho de uma só vez.Nisto a Avozinha querida, abriu a porta, pois tinha ouvido a campainha a tocar. E viu que tinha uma graciosa flor depositada no seu tapete de entrada. Entrou, colocou num belíssimo solitário que tinha, agarrou no telefone, discou um número de modo decidido, sem vacilar, e proferiu as seguintes palavras:

- Luís és um grande malandreco! Olha diz-me: logo é na tua casa ou na minha? 

P.S. Este texto ainda não foi devidamente corrigido e editado, nem sei se vai ser!

Comments 2

  1. ladob wrote:

    Estás de volta! Que bom! (snif, snif!)

    (E sádico como o caraças, pra variar!)

    Posted 03 Out 2007 at 18:28
  2. vitória mariane beze wrote:

    achei otimo!!!!!!!!!!!!

    kkkkkkkkkkkk

    Posted 19 Out 2011 at 18:38

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