Compro sempre sapatos apertados!
Dois, três, números abaixo do que efectivamente calço.
E porque o faço?
Para me lembrar que na minha vida nunca calquei caminhos fáceis, ou trilhos predefinidos, pois foram sempre, em todos os casos, tortuosos ou ambíguos.
Perdi-me inúmeras vezes.Encontrar o caminho certo nunca foi tarefa fácil.
Hoje para não me perder, uso sapatos apertados, justos o suficiente para que me seja bastante doloroso caminhar.Para me fazer lembrar, a cada passo que dou, que aquele é o passo certo.
De forma a não voltar a perder-me, de forma a dar valor a cada passo, seguro, que dou…
Se alguém viu neste texto alguma lição, tendencialmente filosófica, de vida, desengane-se, a inspiração deste texto vem (mesmo!!!) de uns sapatos que comprei nos saldos que me lixam os pés todos.
O “O”.
Comments 4
Bolas! Quem me manda ir comprar sapatos apertados antes de ler o post até ao fim!!!
Posted 16 Nov 2007 at 16:51 ¶Daqui nada começam os saldos:) podem ir comprar outros…malucos!!!
Posted 17 Nov 2007 at 17:40 ¶Olá.Passei cá, gostei,ainda não vi tudo! Deixo-te algo
“Tenho que comprar uma trela para o meu mau feitio, daquelas que não esticam!
Posted 18 Nov 2007 at 21:25 ¶O “animal” soltou-se, rosna a toda a gente e não obedece às minhas ordens.
Qualquer dia, quando der por mim, já consigo lançar chamas pelos olhos.
Logo eu que sou um doce e até sei pestanejar como bonecas! ” Luisa Pessoa
A dimensão espaço eclipsa a dimensao do ser dos personagens. O estímulo muitas vezes assinalado nas obras de Kafka, percursor do estímulo do eu com o todo, assume aqui uma vertente original ou mesmo revolucionaria, a do eu com o outro, do eu com o tu e com os instrumentos naturais de mobilidade. É neste vector, que, a meu ver, se dá uma disrupção significativa na narrativa. É a disrupção do ser enquanto ente e do ser enquanto objecto sapato. Dois seres numa dimensão quântica mas não espiritual, muito acima do existencialismo personificado pela comunicação cibernética. Em meu entender, ajuncaodobem encontra uma nova dimensão do texto, dos sentimentos, nem sempre descritos, mas constantes. Da dúvida metódica mas convencional sobre o eu e a sua relacao com o outro. Há um achatamento propositado, não só pelo efeito da dissonância psicológica e social dos personagens, mas sobretudo pela atomosfera criativa que o fim representa. O fim não, o inicio. A impossibilidade do meio entregar a mensagem, bem patente na orba “Global Village” de Mcluham, abre novas visões ao leitor. Um texto sedutor mas não isento de riscos para o leitor. Uma confirmacao do talento.
Posted 19 Nov 2007 at 0:33 ¶Post a Comment