Lisboa Interior, ano 389 de Washington

Que escuridão, penso que estou na antiga rede de metro, as estações são as mesmas, embora estejam todas desprovidas das obras e adereços decorativos de outrora. Estou a sobrevoar uma galeria que irá confluir para o comboio, é impressionante, parece que vejo fotos do que se passa à minha volta, neste momento tenho a forma de um qualquer insecto, a alta velocidade com que processo as imagens, faz com que o mundo pareça quase estático, o que torna as coisas bem mais aterradoras, pois as imagens desagradáveis tornam-se  totalmente marcantes e incisivas, como que quadros do passado suspensos no presente. Vejo os mesmos aleijados rasgados que antes deambulavam nos arredores de Lisboa, ao que parece vão apanhar o Metro para o centro da cidade. No ar, está um agradável cheiro, na perspectiva de insecto que sou neste momento, de cadáveres em putrefacção, nunca pensei que a morte pudesse ter um odor tão agradável. A condição, em que estamos, altera a nossa percepção do mundo, nunca duvidei disso, mas nunca pensei que o fizesse de um modo tão extremo.

Comments 3

  1. ladob wrote:

    O teu coraçãozinho de insecto bate muito depressa, não bate? E as coisas à volta andam muito devagar, não andam? Que tal um Prozac?

    Posted 11 Jan 2008 at 11:43
  2. Manela wrote:

    Insecto??? má escolha….enfim. E quer-me parecer que a visão de insecto é bem diferente:)

    Posted 11 Jan 2008 at 19:16
  3. ajuncaodobem wrote:

    Um doninha fedorenta seria melhor escolha. Mas já existe o gato…

    Posted 20 Jan 2008 at 15:43

Post a Comment

Your email is never published nor shared. Required fields are marked *