o vosso não amigo “O”, todos os dias é acordado por alguém que tem uma voz de rouxinol, que faz lembrar mel. Só que esse rouxinol é completamente desafinado, estridente, deixa-me louco o seu timbre, e a referência a mel é porque essa voz vem de alguém que me fala como se tivesse um ferrão pronto espetar-se-me nos ouvidos:- Acorda!!! Vai trabalhar vagabundo (o que me lembra logo de manhã a célebre musica de Chico Buarque), só sabes é comer e dormir, és um miserável, não serves para nada, não sabes fazer, nada….(o resto do discurso, que é sempre igual, podem-no verificar em textos anteriores). O que vocês não sabem, é que termina aquelas, aliás dulces e meigas palavras com um quase que inqualificável som estridente, um som que mais parece de uma qualquer ave mitológica, obviamente avariada. Gruaaaaaaaaaaa, é o som, que ecoa nos meus ouvidos durante toda a manhã, perdurando em alguns dia até ao raiar do sol da manhã seguinte.Pelo que, esta manhã, tal como me lembrei do Chico por causa da canção do Vagabundo, lembrei-me, posteriormente também de um outro tema, as Outras “Mulheres de Atenas”:
“Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos, heróis e amantes de Atenas
As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas
Não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
Às suas novenas
Serenas”
E atestei que, se calhar, deveria estar casado com uma Grega, pois para além de serenas, também não fazem cenas. Mas conseguiria acordar-me? Eu que a dormir pareço uma pedra ressonante? Como é que elas conseguirão acordar os Gregos? Como é que os Gregos já nos ultrapassaram na produtividade? Existirá alguma correlação entre o bom acordar e a produtividade? Estará o PIB dependente do bom acordar do trabalhador?Espero a reflexão e sugestões dos leitores quanto a este assunto, antes que seja abordado, de modo definitivo, por uma qualquer universidade Norte Americana
“O”
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