- Está aberta a audiência!
- Estamos de férias!
Estas são mais duas maravilhosas e inspiradoras frases que ouvi, faz uns anos a esta parte. Para mim a expressão máxima da liberdade que nunca havia conquistado, nem tão pouco havia ousado fazê-lo. Neste momento pertenço a um grupo, que felizmente tem cada vez mais membros, os “livres”. Grupo de poucos mas a que todos podem pertencer. Não é necessário jóia de entrada ou padrinho a certificar a credibilidade do entrante. A porta de entrada para este Grupo é enorme e a de saída é inexistente. Uma vez que se entre jamais se sai. Enfim sou um sortudo. Bem, enquanto o homem que veste a beca vai, por imposição legal, lendo a acusação de que sou felizmente vítima, vou relatar-vos as férias da minha vida e na verdade de mais alguns incautos que “se atreveram a atravessar-se” nas minhas doces férias.
- Tens a certeza que está tudo? Não falta mais nada? Aliás, mesmo que falte não temos espaço para mais.
- Amor vamos estar cinco dias fora, muita coisa pode acontecer!
E lá partimos na “Transporter – VolksWagen” com atrelado e tudo, parecíamos uns campistas, mas não o somos. A minha condução era vagarosa, não por cuidado, mas porque era impossível ao veículo ter melhor prestação. Afinal éramos sete. Eu mais a minha mulher, os meus três rebentos arrebitados, e os avós maternos dos mesmos, mais a bagagem de, e com todo o que possam imaginar, e mais umas coisinhas minhas, que de facto, eram mesmo muito pesadas. Andei três longos e penosos anos a juntá-las, catalogá-las e a aprender a manejá-las, de modo a poder retirar todo o seu potencial. - As minhas lindas meninas!
Para meu espanto, durante os primeiros quilometros o computador do veículo acusava um consumo absolutamente excessivo. A sua causa só poderia advir, certamente do peso em excesso, uma vez que havia feito uma competente revisão ao veículo antes de me atrever a lançar-me à estrada e disse-me o Sr. Oliveira que alquele carro tinha um motor que parecia ter sido construído por um relojoeiro suíco. Pelo que do motor não haveria de ser, até porque o relógio do interior do veículo estava absolutamente sincronizado com a horas certas da Antena 2. Que poderia, então, eu fazer para aliviar a carga que sobrecarregava? A bagagem era toda necessária. As minhas “coisinhas” também. Pelo que a razão e a minha elevada consciência ecologista levou-me a determinar que, se queria aliviar-me de alguma coisa teria que ser da carga humana. Assim só me restavam três alternativas para fazer descer o consumo do meu veículo, aliviar-me da minha mulher, dos miúdos, ou ainda, os avós maternos dos miúdos!
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