A escolha era óbvia, teriam que ser os avós maternos dos fedelhos! Eles nem sequer eram parentes da minha mulher, antes pais da minha terceira mulher que um dia saiu para ir comprar pão e nunca mais foi vista. Como a minha mulher, madrasta daqueles generosos rufias, nunca quis saber muito deles, deixei os meus ex-sogros, virem para casa tomar conta das crianças. Na verdade, éramos todos juntos uma feliz atípica família.
Mas naquele momento os senhores, já de alguma idade, eram para mim um peso-morto. Mas como os meus meninos deles necessitavam, resolvi tomar medidas não drásticas, e pouco letais, pelo menos aparentemente.
- Próxima paragem área de serviço de Aveiras! – Gritei eu à população que comigo coabitava aquele espaço exíguo que nos locomovia a outros espaços.
Estava mesmo a precisar de fazer um xixi, pelo que disse à Inês:
- Olha toma conta dos meninos que tenho que à casa de banho.
- Está descansado vai à vontade. – Disse-me ela com cara de poucos amigos. Ela odiava aquelas crianças para mim encantadas.
Ao ouvir tal fez-me reflectir que se calhar não seriam os meus sogros que estavam a sobrecarregar a carrinha. Eles pelo menos às crianças eram fiéis e dedicados. Parei um segundo para pensar sobre o assunto. Após aturada reflexão que se traduziu na seguinte formulação: (400 Kms X 6,5 L = 26 L); Inês = 63 Kgs – o que representa cerca de 11 % do peso total do conjunto de carga humana viva + peso-morto. Finalmente concluí: Que para já não valia sequer o esforço.
Comments 1
Que malícia, homem!
Posted 06 Fev 2008 at 17:25 ¶Post a Comment