Apesar de conseguir racionalizar toda a situação, sentia-me um acumulador, a minha tensão interior não parava de aumentar a cada momento. O meu campo de visão, tal como acontece aos predadores, estava cada vez mais focalizado, pelo que minha visão lateral desapareceu quase por completo. Sentia os meus sentidos cada vez mais apurados, os músculos por sua vez, estavam tensos e como que no ponto de prontidão absoluta. Sentia o acontecer daquilo que tanto temia, mas que ao mesmo tanto ansiava, iniciava-se em mim o processo que havia de levar-me à independência total, contraditória do meu passado. Seria senhor de mim, senhor de todas as terras, seria eu a impor a lei, seria eu o julgador, seria eu o criador das leis básicas de todos os quantos comigo se relacionam.
- Manuel não queres vir com o pai?
- Sim papá!
Manuel uma linda criança, lourinha com sardas, é um ano menos novo que a minha filha Rita, e um ano mais novo que a minha filha Leonor. Tem 5 anos.
Já na casa de banho deu-me uma súbdita vontade de defecar, pelo que entrei no sanitário, propriamente dito. Enquanto a criança, já aliviada, ficou a brincar ao lava-mãos, eu lia os escritos com efeito laxante que, para esse preciso efeito, decoram a portas das casas de banho.
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