- Pai!!!
- O pai já vai, espera só mais um pouco!
Entretanto fez-se silêncio.
- É bonito não é? – era voz de alguém que agora ali se encontrava.
- Pai!!!!
Decidi não responder, senão o catraio nunca mais se calava.
- Olha se quiseres mais desses, vem comigo, tenho uma casa cheia deles!
Decididamente o tom de voz do indivíduo que falava com o Manelito não me estava agradar. Decidi então vestir as calças para me acercar do que se passava. Repentinamente assim que abri a porta vi o meu filho inconsciente num dos braços de um homem que já aparentava ser quarentão, que bruscamente guardava um lenço branco no bolso, impregnado de clorofórmio, o cheiro que pairava no ar era revelador o suficiente para não ter qualquer dúvida sobre esse aspecto.
- A criança está bem? – Perguntei eu ao fulano fingindo não ser o pai do Manuel.
- Está a dormir adormeceu-me nos braços, tenho que a ir colocar na cadeirinha, para prosseguirmos viagem.
- Sei como é! – Respondi-lhe eu, admirado com o facto de estar tão calmo, pelo facto de não ter entrado em pânico, a atitude normal numa situação como aquela. Pelo contrário a minha calma estava-me a incomodar. A minha cabeça era percorrida apenas por dois pensamentos. Colocar o Manelito a salvo, ver quais os pontos fracos daquele individuo, que apresentava um forte porte atlético ameaçador.
- Olhe os meus parabéns é uma linda criança! – Disse-lhe enquanto retirava uma ponta e mola que tinha à cautela colocado no bolso direito das minhas calças, enquanto passava com a mão no cabelo louro arruivado do meu filho com a mão esquerda.
- Muito obrigado – Respondeu o tratante, agora segurando a criança com os dois braços – o senhor é uma simpatia!
Pois sou! E você é do pior que existe no ser humano! – sem que ele esperasse, espetei-lhe bruscamente a minha navalha nos seus testículos. A dor fê-lo largar de imediato o Manelinho, que segurei antes que pudesse estatelar-se no chão. De seguida coloquei-o no chão, tranquei a porta da casa de banho, não sei antes, colocar o aviso de que se encontrava em limpezas.
O homem mau que agora jazia no chão, agarrado à lembrança que fora a sua masculinidade, emitia um sem número de interjeições que expressavam a dor de que padecia.
- Agora nós! – Disse-lhe eu enquanto arrastava aquele ser queixoso para o sanitário que, minutos antes, havia por mim sido ocupado, não sei antes certificar-me de que o Manelinho estava de facto a dormir.
- Olhe, não grite mais, não vê que pode acordar o menino! Ainda há pouco estava muito preocupado com ele. Diga-me as suas dores são assim tão fortes que não se consiga esquivar a emitir esses sons?
- São sim, perdoe-me, não sabia que era seu filho!
- Se a criança existe é filho de alguém não é?
- É sim, é. Deixe-me ir, antes que morra com a hemorragia. Ahhhhhhhhh, e as dores são pavorosas.
- Não se importa de se calar. Esses seus gritos ainda vão acordar o meu filho. – Disse-lhe eu enquanto lhe encostava a minha faca, agora junto da sua garganta. – Diga-me uma coisa, prefere morrer acordado ou a dormir?
- Não!!!! Não!!!!
- Você de facto grita muito!
- Dê-me esse lenço já, antes que lhe corte a língua!
O fulano retirou então o lenço do bolso, deu-mo, coloquei-o sobre a sua boca e nariz, pelo que, nunca não mais ele gritou!
Comments 1
Dá-lhe!!!
Posted 15 Fev 2008 at 14:07 ¶Post a Comment