O carro que quase nos atingiu era um Subaru Impreza, azul, todo “quitado”, a matricula que exibia, era 23 - CA - 37, face à idade que o modelo aparentava tratava-se sem dúvida de um automóvel importado.
- Faltam dez quilómetros para chegarmos, à área de serviço de Santarém. Vamos parar está bem, assim vocês mexem as pernas e o Pai, vai à casa de banho.
- O Papá não vai fumar pois não? – perguntou a Rita com a sua suave voz cândida e cinematográfica.
- Não meu amor, não vou. O Pai já vos jurou que não voltava a fumar. Não me vou esconder na casa de banho para fumar. Tenho efectivamente que lá ir.
Assim que a Leonor aprendeu a ler partilhou com os restantes irmãos de que o tabaco mata. As crianças que já haviam sido “abandonadas” pela mãe não suportam a ideia de que eu possa falecer, por isso, face aos inúmeros pedidos resolvi deixar definitivamente de fumar. Definitivamente na perspectiva de fumador pois claro. Ainda assim resolvi tentar, até porque quando deixei de fumar ao pé deles e fazia-o, antes, às escondidas, eles cheiravam-me à procura do odor, pelo que não eram de todo enganados pela minha batotice.
- Ora cá estamos. Quem quer esticar as pernas?
- Vamos todos! Disse o meu ex-sogro.
- Muito bem, vão com os miúdos para o parque que eu vou então à casa de banho e depois vou beber um café.
Mesmo a Inês, manifestamente contrariada, aceitou ir em conjunto com eles. Detive-me a pensar na pena que tinha em que ela não gostasse dos miúdos. Aliás, tinha enorme tristeza que ela não quisesse gerar mais um filho, e assim tornar-se sensível à companhia das crianças. Penso que só não o fazia porque tinha medo de perder aquilo que gostava. A sua silhueta. Face aqueles pensamentos disse em voz baixa para mim mesmo:
- Quem sabe um dia mudas de ideias, tu tens um bom fundo só que não sabes.
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