O 23 - CA – 37 azulinho, a Parte VII de “Férias Judiciais de O”

Já eu saia da casa de banho em direcção à cafetaria, quando de frente para mim, porque o seu dono estava de costas e tinha-o com a pala voltada para trás, evidenciava-se, como que a chamar a minha atenção, reparei num chapéu de pala azul com a seguinte inscrição, “ Subaru World Champion”. Só podia ser ele. De súbdito comecei a saborear o doce sabor da adrenalina. Uma vez mais, a minha visão ficou focalizada naquele sujeito, todas as restantes imagens laterais estavam como que turvas. Os meus músculos uma vez mais em prontidão plena. Coloquei-me mesmo atrás dele na bicha para o pré-pagamento do café. Durante todo esse tempo, julgava-lhe os gestos, tentava ver se o indivíduo tinha alguma atenuante para a pena que já lhe tinha sido aditada. A pena de morte. Assim, analisava-lhe os modos, as palavras, a sua educação perante terceiros, como que estes fossem uma segunda instância de jurisdição silenciosa.

            O indivíduo, moreno com o cabelo oxigenado aparentava ter cerca de um 30 anos, vestia umas calças de ganga curtas, até cerca de metade da perna, a t-shirt preta não tinha mangas, mas também não era de alças, e claro que tinha estampadas em letras garrafais a frase: “fuck-off”. Até ao momento nada abonava em favor dele. A pena que eu lhe tida ditado mantinha-se, ainda assim, achei que seria melhor acercar-me da justeza da mesma. Quando pediu o café ao Senhor que estava atrás do balcão a aviá-los, tinha perdido a hipótese de perante mim se redimir, pelo menos parcialmente:

            - Chefe, quero um café à italiana. Não quero um café curto!

            Piorou ainda quando, usando a ultima apelação que lhe restava se sentou a beber o café e puxou de um cigarro e fumou na zona interdita a fumadores. Quando uma senhora lhe chamou atenção para esse pequeno grande detalhe:

            - Cota, eu já cá estava! Está mal? Vá para outro lado!

            Enfim não havia redenção alguma naquele tipo. Pois era socialmente inadaptado, pessoalmente repugnante pelo que socialmente eliminável poque dispensável.

            Antes que o tipo se levantasse, eu tinha que confirmar se de facto era ele o dono do Subaru, para isso dei uma pequena volta no parque. E lá estava ele!!!  

O 23 - CA – 37 azulinho.

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