Ano: Um qualquer ano Gregoriano próximo dos dias de hoje.
Hora Legal: Hora local do local onde se desdobra a acção.
Local: Estação de Rádio Local
Intervenientes: Os que forem aparecendo à medida que o texto se for desenvolvendo.
Tempo: Bom, mas esse factor nem sequer é importante. Não chove dentro do estúdio onde se desenrola a acção.
Não era de hoje a sua fama, “O” prestigiado escritor que teve a sua expressão máxima em termos de notoriedade advinda pela área das letras e também o seu início, auge, apogeu e final de carreira, quando escreveu três páginas e meia num livro que foi escrito, conjuntamente, por catorze autores, mas que ainda assim lhe valeu dois sobre catorze avos das duas estrelas com que estes foram brindados por crítico, que o foi, do jornal o Público. Verdade é que nuns primeiros tempos o seu, aliás mau, génio não lhe foi, como era merecido, devidamente reconhecido. Mas alguém, um visionário, o Bruno Bento Barbosa Baboso, conhecido nos meios da comunicação como F-B, diminutivo de “Four-B”, director, produtor, dj, secretário da direcção, angariador de publicidade da estação e também o seu responsável pela limpeza. Ao ler aquelas três páginas de mau humor barato interiorizou que aquele seria a salvação da estação. Seria aquele quem poderia retirar, como o fez Tino de Rãs a Rans, a Rádio Palmeirinhas do anonimato. E de facto assim foi, em pouco tempo, como quem diz, em pouco tempo mesmo, a Rádio Palmeirinhas já era a estação de referência de todos os alternadeiros da Amadora e arredores. Tornando-se assim os programas de “O”, verdadeiros motores, de doze cilindros, da opinião pública esclarecida. Nenhum assunto estava devidamente desvendado sem que essa temática fosse por “O” processada. Era o “O” do momento, a maior referência cultural e de opinião de Portugal e do mundo elucidado.
Senhoras e Senhores directamente dos estúdios da Brandoa Da Rádio Palmeirinhas, temos o prazer de vos garantir hoje, mais uma exclusiva emissão do programaaaaa radiofónico, que bateu todos os recordes de audiência planetária: “Ó esclarece!”
Clap,clap,clap!!!
A que se seguiu mais uns claps, claps, uns assobios, gritos beatleianos esotéricos de algumas fãs, cuecas e soutiens arremessados (que serviu ao “O” para a abertura de uma loja de roupa interior feminina e, digam-se as verdades, alguma masculina também, em segunda mão).
No ar (lia-se nos avisos luminosos). Podes arrancar, diz “F-B” a “O”.
“O” – Boa noite a todos os ouvintes!
Ao que público reage: - Boa noite grande “O”! Clap,clap, as entusiasmadas palmas, não paravam, apesar dos inúmeras advertências de “F-B”, até que o mesmo não se contendo, grita desesperadamente: “Ai o car…, o próximo que apanhar a gritar leva um murro nos cornos que o f….todo.” “F-B”, conseguia sempre, controlar o público, era um dom que advinha dos tempos em que havia estagiado na vanguardista R.V. (Rádio Ventosa) cujos estúdios estiveram em tempos sedeados na Meia Laranja.
“Boa noite ouvintes e escutantes – diz “O” impregnado com a sua mais notável rádio fónica voz de sempre, hoje estamos aqui para levar a debate uns dos temas da actualidade que mais tem estimulado a opinião pública de Barcelos e de Portugal em geral. Deve o fio dos auscultadores, conhecidos mundialmente como headphones passar pela frente até ao respectivo aparelho, como quase toda a gente o usa, ou deverá pelo contrário passar por detrás, ou seja junto ao pescoço tornando-se menos detectável, logo mais oculto.?”
Fim
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