Anda o pequeno na praia, e como caminha junto à agua, graças ao acentuado declive cavado pelo mar, ainda se sente bem mais pequeno, olhando em frente visualiza uma ofuscante luz que lhe fere os olhos, pelo que é forçado a rodar a cabeça de um lado para o outro de modo a evitar ser incomodado, olhando para a sua esquerda vê o mar cheio de agitação mas não são as ondas que o incomodam antes os gritos dos banhistas associado ao sabido esotérico frenesim estival. Dando a sua esquerda vê coisas que lhe parecem também verdadeiramente perigosas, uma espécie de floresta de ciprestes; umas peludas, outras não, em constante movimento, que parece que o vão deitar ao chão, especialmente as de pêlos revestidos que são colossais e medonhos, parecem-lhe prontas para o chutar longe do seu destino; pelo que só pode ir em frente e nada o demove do seu caminho, continua a caminhar, apesar de mal caminhar e de fazê-lo sozinho na sua tenra idade sente que já viveu esta experiência e que a irá sem dúvida alguma suplantar, sabe que o seu pai o vigia e de que em pouco metros mais adiante irá encontrar o seu destino prometido, o oásis do chapéu-de-sol azul e vermelho, que alberga sua mãe e irmãs, sabe que perigo não existe, mas como criança que é, obriga-se a chorar como que anunciar a sua chegada, não fosse alguém desconfiar de que ele, sem saber como, por já a ter vivido, conhecia o final desta pequena história.
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