A boca e a mosca

José António Pinto Ribeiro, o actual ministro da (In)Cultura em Portugal, é um político muito «estimado» no nosso país. Tão «estimado» que já conseguiu colocar contra ele – sob a forma de manifesto/petição – um conjunto de personalidades ligadas às «letras, artes e ideias» lusas… e em menos tempo do que levou a concretizar-se uma iniciativa semelhante contra Isabel Pires de Lima, a sua antecessora no cargo! É sem dúvida um motivo para se sentir «orgulho»…
Agora o que é mesmo surpreendente é que até já há estrangeiros que, além de saberem quem é (e que existe…) o ministro da (In)Cultura em Portugal, também nutrem por ele o mesmo sentimento de «estima». Nomeadamente Bob Geldof, que recentemente expressou a sua estranheza pelo facto de o (Des)Governo do nosso país estar alegadamente a bloquear, na União Europeia, a votação em prol do alargamento dos direitos dos autores e artistas musicais para um prazo de 70 anos. E Bob Geldof não é uma pessoa qualquer: é a individualidade que o Sr. Pinto de Sousa, o chefe do Sr. Pinto Ribeiro, decidiu receber no Palácio de São Bento em vez do Dalai Lama, quando ambos estavam em Lisboa no mesmo dia…
Porém, não é verdade que o actual ministro da (In)Cultura não tenha feito qualquer coisa de «relevante» desde que ocupa o cargo, que não mostre interesse por algum assunto minimamente «cultural»… ou «kultural»: com efeito, ele praticamente não perde uma ocasião para anunciar, convicto, de que o (des)Acordo Ortográfico irá, em Portugal, entrar em vigor este ano. É evidente que o senhor ministro não tem a noção do ridículo em que cai sempre que repete aquele disparate, mas, enfim, não se pode ter tudo, não é assim?
É possível que muito em breve o Sr. Pinto Ribeiro tenha mais uma oportunidade para enaltecer o dito (des)acordo: no próximo dia 20 de Maio o plenário da Assembleia da República vai apreciar a petição/manifesto «Em Defesa da Língua Portuguesa contra o Acordo Ortográfico», que, no momento em que escrevo, conta já com quase 114 mil assinaturas… E nunca é de mais lembrar que o (des)acordo também enfrenta desconfiança, e até oposição, no Brasil.
Se o ministro da (In)Cultura for mesmo ao parlamento, subsistirá – até ao momento de ele abrir a boca – a dúvida sobre se ele falará em português ou em outro idioma – alemão, francês ou inglês. Seja como for, esperemos que não lhe entre mosca.

Octávio dos Santos

Comments 1

  1. ajuncaodobem wrote:

    O “fato” é que ele nem sequer poderá usar mais “fato”, terá que usar uma paletó!

    Posted 16 Mai 2009 at 21:40

Post a Comment

Your email is never published nor shared. Required fields are marked *