EVA

 

  Entäo o SENHOR Deus fez cair um sono pesado sobre Adäo, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar;

E da costela que o SENHOR Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adäo.

E disse Adäo: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada.

Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.

E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam…

Eva, está de facto nua, quer dizer, deve estar, sabemos que o está pois não a vemos vestida, o que não quer dizer que se veja a sua nudez. Mas sempre se diga que vestida não está, nua também não. Por incrível que seja, nem sequer tem sobre si qualquer encobridor pudico, como poderia ser por exemplo uma imagem digitalizada que se usa televisivamente para esconder a imagem de quem a cara não pode ou não quer dar. Pelo contrário, vemos que a sua imagem é completamente nítida, mas quando os nossos olhos tentam focalizar os seus seios ou vagina, como que automaticamente por desígnios misteriosos, são forçados a deter-se nos seus olhos. E EVA olha-nos sempre nos olhos. E se de facto aquelas artes mentirosas nos conseguem afastar da nudez do seu corpo, as mesmas não conseguem ocultar o seu estado de alma, e esse está nu, acessível a quem nos olhos de Eva se detenha, efectivamente ela não consegue disfarçar a sua fragilidade, a acessibilidade àquele frágil, nu e sofrido espírito é total. Que Nem o SENHOR, com todos os seus desígnios e poderes consegue aparentemente ocultar. Afastando-nos dos seus olhos, o que não é tarefa fácil, e percorrendo a sua delicada face reparamos nos seus doces lábios, doces pois têm o formato de um coração, prontos a mimar, também pelo seu delicado traço e fina atitude. Aparentemente imóveis, os seus lábios na verdade têm um levíssimo tremor, um tremor quase indetectável, mas que não escapa a uma observação mais atenta, parecem prontos devido à sua quase ténue mas perceptível rigidez, que os torna como que molas prontas a pinchar, como quem diz, a pronunciar uma qualquer palavra, não se sabe quando, nem o quê, talvez nem o faça, mas EVA está quase de certeza pronta a articular qualquer coisa, mas a referência do nosso tempo é a perpetuidade?

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