Passaram ontem 200 anos sobre o nascimento de Alexandre Herculano. E não foram organizadas quaisquer iniciativas de celebração da efeméride com âmbito nacional e oficial.
Surpreendente? Nem por isso. Em ano de centenário da implantação da república (o mesmo é dizer, da ditadura), dificilmente sobraria ao Estado dinheiro e ideias para recordar e homenagear um homem que foi, «apenas», um dos nossos melhores artistas, um dos nossos maiores historiadores, combatente – em palavras e em armas – pela liberdade e pelo progresso, corporização do civismo e da ética… da verdadeira, ou seja, não republicana.
E é aqui precisamente que pode estar a causa do desinteresse por este bicentenário por parte do «regime so-cretino»: tal como Almeida Garrett, Alexandre Herculano não pode ser considerado um precursor do republicanismo em Portugal, muito pelo contrário – o autor de «Eurico, o Presbítero» era um assumido defensor da Monarquia Constitucional. Pelo que é interessante lembrar como foi assinalado o centenário, em 1910 – sim, ainda D. Manuel II era Rei, e pouco mais de seis meses faltavam para a fatídica, funesta data…
Octávio dos Santos
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