Nunca se deve afirmar que já se ouviu dizer tudo o que é possível… e impossível. Porque há sempre pessoas que, por excessiva imaginação, ignorância ou imbecilidade, ou porque, pura e simplesmente, possuem um atrevimento inaudito, podem proferir disparates cada vez piores, como se do outro lado só existissem pessoas surdas, estúpidas ou com a memória muito curta. Demonstre-se com alguns exemplos.
Poder-se-á apreender na sua totalidade a suprema ironia inerente à afirmação de Jorge Nuno Pinto da Costa de que o Benfica estava «lançado» para vencer o campeonato nacional de futebol (e, entretanto, venceu mesmo) porque «foi melhor fora do campo e nos túneis»? Para quem é que ele estava a falar? Para os que nasceram há um ano? Não foi, de certeza, para aqueles que acompanham atentamente, e há décadas, o «desporto-rei» em Portugal, e que – antes das «escutas» as confirmarem – foram acumulando suspeitas de contínuo favorecimento ilícito de um mesmo clube (que, não, não é o da Luz).
Outro Jorge que sobressai pela falta de vergonha é o Sampaio. Rir às gargalhadas é a melhor, a única reacção possível à sua «insatisfação» com a (falta de, ou má) «qualidade da democracia» em Portugal. Ele que é um dos principais (ir)responsáveis por essa «qualidade», ao ter desferido um autêntico golpe de Estado que derrubou um governo legítimo (que, a ser «mau», era muito melhor do que o que se seguiu) e possibilitou a tomada do poder por uma «clique» partidária que muito se tem esforçado em levar este país à ruína – ruína não só económico-financeira mas também social, cultural e até moral. E o «chefe» dessa «clique», indiscutivelmente o mais insultuoso – e incompetente – político depois do 25 de Abril de 1974, permite-se queixar da «agressividade da oposição»!
Nem de Mário Soares já se pode esperar alguma sensatez; apenas anedotas. De facto, quando não está a assegurar que vivemos não na III mas sim na II república (Carmona, Craveiro Lopes e Thomaz, cujos retratos partilham com o dele as paredes do Palácio de Belém, devem ter sido presidentes de Espanha…), está a alertar para os perigos do «aquecimento global» causado pela actividade humana, da qual a erupção do vulcão islandês Eyjafjallajökull é apenas um dos sintomas! Ou seja, o nosso «Gigi» pertence à mesma «influente» «escola de pensamento» que reúne «sábios» tão «eminentes» como: Hojatoleslam Kazem Sedighi, um «pré-ayatollah» iraniano que afirmou que mulheres em trajes «imodestos» provocam terramotos; Hugo Chávez, que afirmou que o terramoto no Haiti foi causado por uma «arma secreta» dos EUA; Evo Morales, que afirmou que o excesso de «hormonas femininas» em frangos pode levar à homossexualidade; e Luís Inácio Lula da Silva, que afirmou que a crise financeira de 2008 foi fomentada por «gente branca de olhos azuis» e não por negros (alguém devia dizer ao Presidente do Brasil que Franklin Raines e Stan O’Neil, ex-presidentes, respectivamente, da Fannie Mae e da Merryl Lynch, são afro-americanos).
As «media-milícias» «esquerdistas» e «progressistas» pouco ou nada comentaram estas (e outras) asneiras dos «camaradas» Mário, Hojatoleslam, Hugo, Evo e Luís. Porém, não se pouparam na veemência com que condenaram o cardeal Tarcisio Bertone quando este ousou relembrar o óbvio: que a pedofilia tanto pode ser hetero como homossexual. É no que dá o disparate extremo que representa o «politicamente correcto»: uma dualidade de critérios em que alguns nunca são responsabilizados.
Em Portugal um desses aparentes… inimputáveis é um ladrão, que, decerto por ser «socialista», não foi detido, nem acusado, nem demitido das funções que ocupa; pelo contrário, foi recompensado com a (confirmação da sua) eleição para o… Conselho Superior de Segurança Interna! Afinal, o que ele fez, uma «acção directa» em resposta a uma «violência psicológica insuportável» (isto é, perguntas de jornalistas), deve ter sido também a sua modesta contribuição para a «apropriação colectiva dos meios de produção». E é de admirar que não tenha sido condecorado hoje.
Octávio dos Santos
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