A Estreia - Part.5

                Hoje, tal como todos os portugueses em geral, não consigo conviver, ainda que em breves instantes, com qualquer ideia de futuro social acolhedor, mesmo que vivendo meramente o dia-a-dia, leia-se somente o presente. Porque quando se pensa no dia de amanhã, fica-se perfeitamente perplexo, pois pensamos logo: - Mas existe amanhã? – Quando comecei este meu texto, queria partilhar com vocês o facto de estar a ser escrito, com o supra sumo dos portáteis. Pequeno, muito leve, potente, verdadeiramente portátil e com uma autonomia verdadeiramente assombrosa. O que me permite, tê-lo comigo na mala, sem que isso prejudique a minha postura corporal – poupa-me as costas!!! - pelo que me permite leva-lo para qualquer lado, e assim que a minha cada vez menos inspirada inspiração surge, começo logo a amontoar o “portégé” com as minhas reflexões, percepções e fantasias. E este é o primeiro texto que escrevo no “piqueno”, por isso pensei em chamar ao texto de “ A Estreia”, mas quando cogitei sobre o assunto, e sendo eu um “bónus pater familea”, designação jurídica para homem médio, como uma inteligência e mundanidade média, reparei que eu, tal como a maioria dos portugueses, estamos cada vez menos vigilantes do mundo, e muito mais dedicados à vida economica pessoal, mas ao mesmo tempo com nostalgia e enorme desejo de voltar ao tempos do fogo-de-artifício que davam cor às estreias, de preferência ao som da concertina. – Que saudades! - Hoje não se vivem dias de festejo, nem mesmo que com estrondosas estreias, pois não se consegue, por mais que se tente, ficar alheio a este Portugal, de hoje, uma vez que arde, tem fome, tem medo e no inverno, apesar das temperaturas subirem, vai sentir assaz frio. Em uma frase, seguindo de perto Chico Buarque de Holanda, diria que:

- Já estragaram a tua “estreia” pá!!!

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