Quando Karl e não falo do Carl Heins Romenigga (antiga glória do futebol da RFA) mas antes do Marx, que não do
Max (ou Maximiano de Sousa madeirense que nos cantava em todos os natais dos hospitais
a mula da cooperativa) escreveu o seu Manifesto referiu que:
“Por burguesia compreende-se a classe dos capitalistas modernos,
proprietários dos meios de produção social, que empregam o trabalho
assalariado. Por proletariado compreende-se a classe dos trabalhadores
assalariados modernos que, privados de meios de produção próprios, se vêem
obrigados a vender sua força de trabalho para poder existir.”
Compulsando,
profundamente, a anterior sentença, denota-se com facilidade relativa que quer
os capitalistas, quer os trabalhadores eram modernos. O amigo Marx que, que
acreditava na igualdade de classes com consequência máxima da dialéctica (ó Sócrates
não sei se assim se escreve assim!) entre as classes sociais, esqueceu-se,
talvez não inocentemente, dos desgraçados dos pós modernos.
Será que ele, com
a sua enorme sapiência, saberia que um dia,AQUELES, diriam: “Deus
está morto, Marx também e eu não estou me sentindo muito bem!”
Sabendo ou não, o
que é facto é que os pós modernos também, não sabEM muito bem o que querem, Para
os pós-modernos a história feneceu, o lazer é um mero cirenaísmo, a filosofia
um conjunto de perguntas sem respostas. O que importa é a novidade. Não existe
distinção entre urgente e importante, acidental e fundamental, valores e conjunturas,
efémero e permanente.
Mas em que raio de
sociedade vivemos nós então?
Na pós-modernidade a perversão e o stress
são sintomas, do resultado da falta de lei, do tempo, e de uma ideia de futuro,
porque tudo o que era sólido se desmoronou (a crença em valores e na
esperança). “Tudo se tornou demasiadamente próximo, promíscuo, sem limites,
deixando-se penetrar por todos os poros e orifícios”, diz Zizek.
Em outros textos
já referi a necessidade da sociedade, em que vivo, voltar acreditar:
“Novo clássico cavalheiro, envia-nos as tuas
preces, nem que seja através destes novos ventos de profanação, embrulhadas na
mensagem do pescador, ou, através de uma nova ordem constitucional,
Mas que venham, imaculadamente puras e, por favor,
já agora, desprovidas até dos teus mais nobres complexos,
Novo clássico cavalheiro, envia-nos as tuas
preces, através dos raios cada vez mais pérfidos do sol, num pregão de um
cauteleiro, ou através do anuncio da chegada de um amolador,
Mas que nos cheguem sem os habituais emaranhados
de intrigas passadas, que nos cheguem sãs, como se fossem as primeiras.
Novo clássico cavalheiro, faz-nos crer,
repetidamente, que nem sempre não existimos, que nem sempre não temos
importância.
E com o teu poder, com toda a tua virtude,
ressuscita a benevolência dos tempos, que da tua bondade fruímos; e pela graça
de todos, ressuscita, uma vez mais em nós, também, o poder das orações.
Novo clássico cavalheiro, por favor
Faz-nos crer!”
Eu gostava de acreditar que o mundo não vai acabar amanhã! Mas, tal como
os animais que auguram a iminente catástrofe, sentimos, também, nós que o fim
último está próximo.
Para que tal não aconteça precisamos de abandonar este traumático
pós-modernismo e criar um novo movimento, antes que este seja efectivamente o
último dos períodos e que se perca em definitivo toda a historicidade.
É isso, que pedem os jovens que protestam nas ruas, eles não pedem só um
emprego, antes, pedem esperança, pedem o retorno dos valores, pedem ordem,
pedem rotinas de sociedade, pedem fé!
Dizem os orientais que Crise é oportunidade, mas será oportunidade de
comprar casas e automóveis ao desbarato, ou a grande oportunidade, para de
facto ajudar alguém?
Mas para ajudar alguém, devemos estar próximos, devemo-nos sentir e querer
sentir próximos, para assim nos acercarmos das necessidades do nosso
semelhante.
Mas como é que nos vamos voltar a reaproximar dos nos concidadãos?
Eu acho que devíamos, ferreamente, ressuscitar, o velho “bons dias” (com
sorriso claro! E não entre dentes como muitos de vós dão!), porque quem dá os
bons dias, transmite um desejo positivo a terceiro; porque aproxima a pessoas
uma vez que dá oportunidade de alguém “meter” conversa, e quem conversa sabe
algo do outro, quem conversa sabe que as suas frustrações não são, assim, tão
originais.
“Eu dou os bons dias a pessoas que não lhes conheço o nome, e em troca
recebo um sorriso, que me alimenta o dia” dirão vós um dia se perderem o medo
de voltar a dar os bons dias!
Eu acho, sinceramente, que só os bons dias irão acabar com os taciturnos
dias do pós-modernismo, e darão lugar a dias bem mais cheios na nossa vida.
Quem não quiser acreditar, que acredite por exemplo no Pai Natal, no nosso Primeiro Ministro, que o nosso querido Sporting vai ser campeão em breve, que o PEC é mesmo necessário para se conseguir receitas para fazer o TGV….etc..etc.
